Debate sobre Future-se mostra escalada da crise financeira na Ufes


Com o Teatro Universitário lotado, o debate organizado pelo Comitê em Defesa da Ufes no campus de Goiabeiras, em Vitória, reuniu estudantes, professores e técnico-administrativos, em uma discussão histórica.  Um público participativo e com diversos questionamentos sobre o assunto cobrou posicionamento firme e contrário ao
Future-se por parte da administração central.

Reivindicou que a sessão do Conselho Universitário (CUN) para discutir  e definir sobre o Future-se na Ufes aconteça de forma aberta e democrática, com ampla participação da comunidade acadêmica.  De acordo com informações da secretária dos Órgãos Colegiados Superiores,  não há previsão ainda para  o CUN apreciar a pauta.

Todas as falas do debate foram em defesa da autonomia financeira, administrativa e acadêmica de uma universidade pública, gratuita e de qualidade.O evento, que ocorreu na terça-feira (20), foi conduzido pelo presidente da Adufes, José Antônio da Rocha Pinto, e pelo pró-reitor de Assuntos Estudantis e Cidadania, Gustavo Forde, membros do Comitê em Defesa da Ufes.  

S.O.S Ufes.  A nossa universidade está em liquidação”, assim anunciou Lucas Martins, coordenador de Imprensa, Esporte e Cultura do Sindicato dos Trabalhadores da Ufes (Sintufes)  destacando a importância do engajamento de todos/as na campanha S.O.S Ufes lançada de forma conjunta pela Adufes, Sintufes e DCE.

“O presidente Jair Bolsonaro quer privatizar as universidades e não podemos ficar parados quanto a isso. O Future-se é um programa que visa destruir as nossas universidade, as nossa pesquisas, e precisamos barrar no dia a dia mais esse retrocesso”. Sob fortes aplausos, o dirigente sindical ainda cobrou discussão aberta sobre os impactos do programa na educação pública e na universidade “assim como fez a universidade do Rio Grande do Sul, que negou por unanimidade tal proposta”.

Em sua apresentação, o presidente da Adufes, José Antônio da Rocha Pinto, elencou as lutas do Sindicato para enfrentar os ataques à educação pública, como participação em todos os atos públicos, campanha S.OS Ufes, e a discussão sobre o Future-se junto à categoria da Grande Vitória e dos campi do interior. 

“Este programa enterra de vez todo o nosso sonho de ter, de fato, uma universidade pública, autônoma, laica e de qualidade”, pontuou. O professor lembrou que o crescimento da Ufes não foi acompanhado do devido aporte financeiro e, principalmente, a partir de 2014 começaram os cortes nos orçamentos das universidades. “Agora com este (des) governo a crise financeira das universidades se agrava na medida em que o MEC anuncia cortes e mais cortes...Não vamos ficar de braços cruzados.  Estaremos sempre dispostos a lutar por esta universidade e pela educação pública em todos os níveis”.

Quem paga a banda, escolhe a música.  A presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Ufes, Beatriz Moreira, foi enfática ao dizer o que significa a entrega das pesquisas e de toda a gestão das universidades à iniciativa privada. “Quem paga a banda, escolhe a música. Se você tem um financiamento privado tomando conta da universidade pública, a pesquisa, o ensino, tudo isso vai servir aos interesses do mercado”.

Exposições. Gibran Ramos Jordão, técnico-administrativo da UFRJ, um dos palestrantes, lembrou que as universidades são importantes polos de pesquisas, de qualificação do saber científico e do pensamento crítico e, por isso, estão sendo duramente atacadas.  “Se queremos ter direitos sobre o poder de decisão na produção e reprodução de conhecimento das nossas universidades e institutos federais precisamos enfrentar o future-se”, frisou.

Jordão fez inclusive um alerta sobre o processo de escolha do novo reitor da Ufes e do risco de Bolsonaro, a exemplo do que vem fazendo em outras instituições, ignorar o nome escolhido pela comunidade acadêmica. A nomeação de  interventores, segundo Jordão,  é uma tentativa do governo de impor seus projetos como o Future-se nas instituições de ensino. “Precisamos ensinar ao MEC que a vontade da comunidade acadêmica  tem que ser respeitada”, disse.

Dados da Ufes.  O reitor Reinaldo Centoducatte apresentou dados sobre o orçamento da Ufes, mostrando que a previsão orçamentária em 2019 é de R$ 71 milhões para o custeio (contas de água, energia, limpeza e vigilância). Explicou que, nos seis primeiros meses do ano, houve a liberação cerca de 8% do orçamento de custeio, mas que “a partir do sétimo mês (julho), houve redução para aproximadamente 5%”.

Dessa forma, segundo Centoducatte,  a Ufes tem um déficit mensal projetado de cerca de R$ 2,8 milhões, enquanto as contas são equivalentes entre 6 e 7 milhões. As medidas de contenção de gastos adotadas diante dos cortes (como suspensão do uso de aparelhos de ar-condicionado em alguns ambientes, alteração na frequência de limpeza, realização de serviços de manutenção predial apenas em casos emergenciais) foram duramente criticadas pelos presentes.

Com microfone aberto ao público, muitos cobraram que as decisões de ajustes sejam definidas em conjunto e não de forma unilateral pela reitoria. O mesmo se sucedeu quanto a falta de posicionamento público da administração central sobre o Future-se. Neste ponto, o gestor jogou a responsabilidade para o Congresso Nacional. “Não darei o gostinho para o Ministro da Educação, a esse governo em considerar se eu aprovo ou reprovo esse projeto. Na minha visão, ele não tem o menor sentido”, disse, ressaltando que  “o foco agora” é a recomposição integral do orçamento 2019 e da elaboração do orçamento 2020.  Para Centoducatte, o funcionamento e implantação do Future-se e "se houver algum resultado" não se dará antes de 10 anos.

debate future teatro andifes1O presidente da Andifes, João Carlos Salles, apresentou suas percepções sobre o atual contexto das universidades federais: “Estamos em um cenário em que a pesquisa é desacreditada, mas somos um patrimônio que deve estar em todos os lugares do país. Não crescemos numa única direção, temos que procurar a excelência em todas as áreas. Nenhuma área pode crescer ao preço da destruição de outra área”, defendeu. O reitor ressaltou a importância do aprofundamento do debate e do reforço da unidade entre as universidades.

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Fonte: Adufes 

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