Estudantes ocupam Campus da Unilab após cancelamento de vestibular para transgêneros e intersexuais

Estudantes ocupam Campus da Unilab após cancelamento de vestibular para transgêneros e intersexuais

A professora Luma Oliveira de Andrade, a primeira docente travesti a dar aulas em uma universidade do Brasil, é professa da Unilab e se pronunciou sobre o cerceamento que a população LGBTT está sofrendo por parte do governo federal. "A existência do edital 29/2019 da Unilab foi uma luta interna muito forte. As vagas destinadas no edital são aquelas que não foram ocupadas em outros processos seletivos e isso é o mínimo. A Unilab foi uma universidade pensada a partir das diferenças e o cancelamento do vestibular é um ataque direto do governo federal à população LGBTT, é um ataque do estado. Não podemos aceitar isso, por se tratar de um direito fundamental à educação, o acesso de pessoas historicamente vulneráveis, através de uma política afirmativa. Cabe a nós reagirmos". 

O Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) declarou apoio à ocupação do Campus, segundo a 1ª tesoureira, Raquel Dias. A docente explica que o cancelamento do certame é mais uma demonstração do governo em intervir na autonomia universitária, excluindo a população que mais esteve à margem da educação pública no País. 

Para Raquel Dias, a ocupação do campus é um ato de luta pela democracia e diversidade no Brasil. "A ocupação do Campus Liberdade não é apenas um ato de resistência, mas sim um ato em defesa da autonomia, das liberdades democráticas e da diversidade, pautas que estão sendo fortemente atacadas por este governo. Nós vivemos hoje uma situação de profundo ataque à educação pública e ao seu papel social - bem como se revelou na apresentação do Future-se. Esses ataques, em geral, colocam em risco a permanência de milhões de estudantes oriundos das camadas populares. Nós, do ANDES Sindicato Nacional, nos solidarizamos com a luta da comunidade acadêmica, especialmente com os estudantes que estão ocupando o Campus, para garantir a autonomia e a diversidade universitária", declara a docente. 

Assembleia Geral 

Em nota, divulgada pelo diretório acadêmico da Unilab, estudantes, professores e técnicos administrativos da entidade foram convocados para se mobilizar em assembleia geral, nesta quinta-feira, 18, no Campus Liberdade. 

A nota se posiciona contra o cancelamento do certame, e declara que "a decisão feriu a autonomia universitária, por estabelecer seus próprios mecanismos de acesso à universidade. Se caracterizando mais um ataque transfóbico do presidente, visando perpetuar a exclusão deliberada de uma população extremamente marginalizada do acesso à educação".

Fonte: ANDES-SN

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