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Revista Universidade e Sociedade receberá contribuições até 07/10

O prazo para envio de contribuições ao número 65 da revista Universidade e Sociedade vai até dia 07 de outubro. O tema central desta edição é "Mobilização e resistência contra os ataques a Universidade Pública, Institutos Federais e CEFET". A publicação será lançada no 39º Congresso do ANDES-SN, que será realizado no primeiro semestre de 2020, em São Paulo. 

Além dos artigos temáticos, são aceitos textos sobre questões da educação superior, condições de trabalho, cultura, artes, ciência e tecnologia. Podem também ser submetidas apresentações de experiências de organização sindical de outros países, resenhas e críticas de livros.

As contribuições para a edição 65 podem ser enviadas para o e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..">O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.. 
Confira aqui mais informações sobre normas e padronizações para o envio de materiais. 

A Universidade e Sociedade é uma revista semestral, editada pelo Sindicato Nacional. Tem como intuito fomentar as pesquisas e debates relacionados tanto às experiências no campo acadêmico como oriundas dos espaços de organização sindicais e sociais.  A publicação aborda temas de relevância para as lutas empreendidas pelos docentes em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade, em âmbito nacional.

Durante o 39º Congresso também será lançada uma edição especial da revista, com o tema: “Educação como prática da Liberdade: o legado de Paulo Freire”.  Contribuições para a edição especial devem o seguir os mesmos padrões e prazo da 65º edição da Revista Universidade e Sociedade. 

Edição 64

O número 64 da Revista Universidade e Sociedade foi lançado durante o 64º Conad do ANDES-SN, realizado entre 11 e 14 de julho, em Brasília. A edição aborda os desafios que as mulheres enfrentam para ocupar o seu lugar no mundo, sob a temática "Transformações no mundo do trabalho e opressões de gênero", entre outros temas. 

Leia aqui a publicação.

Bolsonaro fere a autonomia universitária e nomeia candidato menos votado


Em mais uma clara demonstração de que quer acabar com a autonomia universitária no Brasil, Jair Bolsonaro nomeou o professor José Cândido Lustosa como reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), para mandato de quatro anos. O docente foi o candidato menos votado na consulta pública na universidade e o segundo colocado na lista tríplice feita pelo Conselho Universitário (Consuni). A nomeação foi publicada na tarde da última segunda-feira, 19, em edição extra do Diário Oficial da União. Com a escolha, o chefe do executivo federal quebra mais uma vez a tradição de nomear o candidato mais votado pela instituição de ensino.

Durante a consulta pública a estudantes, docentes e servidores, o então vice-reitor, Custódio Luís, foi o mais votado com 7.772 votos contra 610 votos recebidos pelo escolhido por Bolsonaro.

Segundo Caroline Lima, 1ª secretária do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), o governo federal vem interferindo de forma autoritária e desrespeitosa com a comunidade universitária, e isso é muito grave. “O que vem acontecendo nas universidades, institutos federais e CEFET é muito grave e desrespeitoso. Desrespeitoso porque não considera a escolha da comunidade acadêmica. Fere a autonomia universitária, fere a democracia interna das instituições e fere a própria constituição. A escolha de candidatos que não foram eleitos pela comunidade demonstra que o projeto passa centralmente pelo autoritarismo, mostrando que o governo quer esmagar a democracia interna e impor uma política de desmonte, privatista e conservadora”,  afirma Caroline.

A Universidade Federal do Ceará foi a primeira instituição de ensino superior do Nordeste a rejeitar o programa Future-se, anunciado pelo Ministério da Educação em meados de julho. A decisão foi tomada democraticamente pelo Conselho Universitário, na quarta-feira, 14 de agosto.

Nomeação gerou indignação na comunidade acadêmica

A nomeação gerou indignação em docentes, estudantes e técnico-administrativos, que estão se mobilizando para barrar a intervenção no processo democrático universitário. Nessa terça-feira, 20, a comunidade acadêmica realizou o ato “Autonomia, democracia e direitos na UFC: por uma universidade pública, gratuita, de qualidade e democrática”. A previsão é que novas mobilizações ocorram durante as próximas semanas.  

Diante da rejeição ao projeto que prevê profundas alterações na estrutura administrativa, orçamentária e no financiamento das instituições federais de ensino superior, Caroline Lima acredita que está nítido o autoritarismo associado a um projeto de educação que não é para a sociedade em geral. “Nós do ANDES Sindicato Nacional estamos vendo isso com muita indignação e revolta. No momento que a universidade está mais negra, indígena, popular e feminista, eles querem fechar as portas da universidade. Fechar para a diversidade, fechar para os filhos e filhas da classe trabalhadora. Um projeto de desmonte para que a universidade se torne novamente elitista, masculina e branca”, declara a diretora da entidade.

Em nota, a diretoria do Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) declara repúdio à interferência do governo federal na autonomia universitária e exige a nomeação do Prof. Custódio Luís Silva de Almeida como reitor escolhido da UFC, primeiro indicado da lista tríplice, acatando a decisão do Conselho Universitário para o cargo de reitor. Na nota, o Sindicato Nacional explicita seu apoio e solidariedade à(o)s estudantes, docentes e técnico(a)s-administrativo(a)s dessa universidade.  

Clique aqui e leia a nota.

13 de agosto: Greve Nacional da Educação

No dia 13 de agosto, professores/as, técnico-administrativos e estudantes vão parar o País, mais uma vez, em defesa da Educação Pública e Gratuita, contra os cortes orçamentários e contra a Reforma da Previdência. A Greve Nacional da Educação está sendo construída em unidade por entidades sindicais e movimentos estudantis.

A paralisação foi convocada inicialmente pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e foi incorporada ao calendário do ANDES-SN durante o 64º Conad. A CSP-Conlutas e diversas outras centrais sindicais estão chamando a comunidade para aderir ao movimento. Raquel Dias, 1ª tesoureira do ANDES-SN, ressalta que o dia 13 de agosto é uma continuidade das lutas que estão sendo desenvolvidas no setor da educação básica e superior.

“Nós fizemos grandes e importantes atos no mês de maio, principalmente nos dias 15 e 30. Depois desses dois grandes dias de luta, que levaram milhares de pessoas às ruas - entre estudantes, professores, técnicos e setores expressivos da sociedade - nós tivemos mais dois grandes ataques. Um, o ‘Future-se’, foi anunciado exatamente após as mobilizações. Este é um projeto de desmonte, de privatização do ensino superior público. E, agora, mais recentemente, o anúncio de um novo corte no valor de R$ 348 milhões para o Ministério da Educação. Em toda a Esplanada, o setor da educação é o que contabiliza o maior corte, já chega a R$ 6,1 bilhões”, comenta.

O recente bloqueio no orçamento, que atingiu principalmente os ministérios da Educação e Cidadania, é resultado de uma nova avaliação do governo sobre o crescimento da economia. Essa é a terceira revisão para baixo desde o início do ano. A diretora do ANDES-SN aponta para a necessidade de se compreender os ataques à educação e demais direitos sociais nesse contexto de crise econômica.

“É preciso compreender esses ataques à educação, concretizados por meio dos cortes e de uma política de privatização, além da desconstitucionalização dos direitos - que tem como foco a reforma da Previdência nesse momento -, no contexto de uma crise do Capital, que se expressa de forma mais fenomênica. O dia 13 de agosto tem que ser visto nesse contexto de aumento da inflação, de não crescimento da economia, de aumento do desemprego e da falta de perspectiva da juventude”, explica.

Segundo Raquel, cada dia de luta da educação vai ganhando mais importância, porque o que está em jogo, para além da defesa da educação pública, é o horizonte dos estudantes. “A cada mobilização que a gente realiza, a perspectiva de futuro vai ganhando mais destaque como um eixo de luta de toda a juventude da classe trabalhadora do nosso país”, acrescenta. 

Nesse sentido, a diretora do Sindicato Nacional reforça o chamado para que todas as professoras e professores realizem uma grande Greve Nacional da Educação. “Que todas as instituições de ensino, da educação básica à educação superior, possam paralisar as suas atividades nesse dia para dialogar com a sociedade sobre o papel social que as universidades públicas, os institutos federais e CEFET, e as escolas públicas em geral, cumprem na sociedade na produção de um conhecimento socialmente referenciado e chamar a população a defender este patrimônio que é a educação pública”, conclama.

Greve do Setor da Educação

Em reação à ofensiva do governo Bolsonaro contra a Educação Pública, o ANDES-SN apontou, em reunião conjunta dos setores das Instituições Federais, Estaduais e Municipais de Ensino no final de julho, a necessidade de construção de uma greve do Setor da Educação. Foi indicado às seções sindicais a realização de assembleias até o dia 22 de agosto. No final do mês, uma nova reunião do setor avaliará o retorno da categoria.

“O ANDES-SN está consultando a categoria. Respeitando nosso método de construção interna, estamos pedindo que as bases do nosso sindicato façam debate em assembleia até o dia 22 de agosto, considerando a possibilidade de indicativo de greve e dialogando com as entidades do setor da educação sobre a viabilidade da construção de uma greve geral da educação”, explica Antonio Gonçalves, presidente do ANDES-SN.

Fonte: ANDES-SN 

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